A serigrafia é um processo de impressão com origens remotas no Extremo Oriente, que sofreu no início do século XX uma transformação influenciada pelos desenvolvimentos técnicos no âmbito da fotografia.
Na nossa oficina, o processo de impressão é o mais artesanal possível e preocupado em não prejudicar o meio ambiente. Por isso, as tintas que usamos são de base aquosa e têm certificação ecológica.
Desenvolvemos diversos projecto colectivos, tendo como ponto de partida a obra de Amadeo Souza-Cardoso, Agustina Bessa-Luís ou Alexandre Pinheiro Torres; proporcionando o diálogo entre o presente e o passado, entre as artes plásticas e a literatura.
Até ao momento, desenvolvemos projectos colaborativos com mais de 30 artistas.
Se quiser ter um trabalho seu impresso serigraficamente pode saber mais sobre colaborações e encomendas aqui.
loja
De Manhãzinha :: Eduardo Teixeira Pinto
sem título:: Fernando Barros
Preguiça :: Verena Basto
Poster XVII :: Margarida Almeida
Houve um Tempo em que o Tempo Ainda Não Existia
Poster XVI :: Margarida José
sem título :: Rui Gonçalves
Poster XV :: Karin Somers
Poster XIV :: Alice Montanha
exposições
A partir das colecções temáticas que temos elaborado em colaboração com diversos artistas realizámos diversas exposições. Pode solicitar orçamento para a concretização de alguma destas exposições ou até para a concepção de uma nova exposição, contacte-nos.
perscrutação da memória
Esta exposição reune duas colecções de serigrafia elaboradas a partir de duas obras literárias de Agustina Bessa-Luís.
No primeiro conjunto intitulado Houve um Tempo em que o Tempo Ainda Não Existia os artistas participantes trabalharam sobre excertos do livro A Sibila.
Na segunda série de serigrafias que faz parte desta exposição, Escura Flama, os artistas convidados trabalharam a partir de excertos do livro O Susto (uma biografia ficcionada de Teixeira de Pascoaes).
O maior elo de ligação entre estas duas colecções é a memória enquanto recurso de criação literária. A perscrutação da memória nestas duas obras não se fica pela narração dos eventos que marcam a vida das personagens. Esta marca distintiva da escrita de Agustina também está bem presente na profusão de referências a diversos aspectos culturais característicos da região de Entre Douro e Minho onde a acção decorre (região/matéria-prima em diversas obras da autora).
Assim, esta reflexão pictórica pretende, por um lado, contribuir para a valorização de um legado cultural regional, ao mesmo tempo que homenageia o trabalho literário de Agustina Bessa-Luís e, ainda que de forma indirecta, de Teixeira de Pascoaes.
A selecção dos excertos que serviram de base ao trabalho desenvolvido pelos artistas convidados foi levada a cabo por José Gonçalves.
Artistas participantes: Carvalho Ribeiro, Gil Peixoto, José Pereira, Karin Somers, Mariana Castro, Mário Peixoto, Patrícia Verme, Vera Matias, Verena Basto, Ana Roque Sá, Joana Antunes, Joana Torgal e José Pinheiro.




houve um tempo em que o tempo ainda não existia
Quando em 1954 edita A Sibila (um dos primeiros romances por si escritos), Agustina Bessa-Luís afirma-se como uma voz única no panorama literário português. Nesta obra, a autora coloca uma mulher (a personagem principal) em confronto com o seu destino. A narrativa avança e recua no tempo para urdir uma tela em que o passado e o presente são absolutamente interdependentes.
Uma vida não se conta só pelo tempo que decorre entre o nascimento e a morte. Há um passado que não se pode ignorar, pois sem ele essa vida não teria a sua origem e há um tempo depois da morte em que os efeitos dessa vida se vão repercutindo. Assim acontece neste livro, que atravessa um período de cerca de cem anos (entre cerca de 1850 e 1950) para narrar uma vida de alguém que não terá chegado a essa idade.
No entanto, o tempo da acção que tem como pano de fundo a região de Entre Douro e Minho – região/matéria-prima para grande parte da obra de Agustina – é o de uma sociedade que sofreu entretanto muitas transformações. Este facto torna-se evidente pela profusão de referências a diversos aspectos culturais característicos desta região naquele tempo.
Valorizando esse património cultural em desaparecimento, solicitamos a José Gonçalves a seleção de nove excertos que espelhassem estes costumes e tradições característicos da região e pedimos a nove artistas que os traduzissem visualmente, celebrando desta forma a autora e esta obra em particular, ao mesmo tempo que propomos uma reflexão pictórica sobre aspectos culturais de Entre Douro e Minho, vincando assim o papel da literatura enquanto forma de itinerância no espaço e no tempo.









ressoam as fragas do marão
Ressoam as Fragas do Marão na “voz” destes dois escritores, oriundos do concelho de Amarante, conhecida pelas fabulosas, mas cada vez mais incomuns, neblinas, inspiradoras de várias gerações de poetas e de loucos. Sendo que, por vezes, os dois coincidem.
As “vozes”, verdadeiros contrafortes de gume afiado, a que nos referimos são de Agustina Bessa-Luís e Alexandre Pinheiro Torres, dois escritores dotados de uma personalidade muito vincada, que transparece na escrita dos mesmos.
Esta exposição, Ressoam as Fragas do Marão, resulta da edição de duas colecções de serigrafia editadas por nós, Escura Flama com dez serigrafias e O Ritmo Desumano do Mar com onze. Escura Flama surge enquanto projecto em 2019. Na fase de idealização sabíamos apenas que pretendíamos homenagear Agustina Bessa-Luís, ainda entre nós na altura. Contactamos o José Gonçalves no sentido de nos auxiliar a escolher a obra que serviria de base para a elaboração dos trabalhos artísticos. Aceitamos a primeira sugestão que o José nos fez: o livro O Susto.
Este livro, editado pela primeira vez em 1958, e reeditado apenas em 2019 é uma biografia ficcionada de Teixeira de Pascoaes. Esta escolha pareceu-nos perfeita porque nos permitia uma dupla homenagem a Agustina Bessa-Luís e ao poeta-filósofo de Gatão; havendo ainda espaço para a aparição de Fernando Pessoa numa das serigrafias, à boleia da relação entre este e Teixeira de Pascoaes.
Em 2022, a propósito das comemorações do centenário do nascimento de Alexandre Pinheiro Torres, decidimos lançar um novo projecto colectivo O Ritmo Desumano do Mar. O desafio proposto aos artistas convidados seria o de criar uma nova colecção de serigrafias, desta feita a partir de um livro de poesia intitulado O Ressentimento de um Ocidental. Com certeza o título vos é familiar. Nos 300 anos da morte de Camões, Cesário Verde escreveu O Sentimento de um Ocidental e passados 100 anos, é Alexandre Pinheiro Torres a, com o seu típico sentido de humor bem ácido, se apropria do título da obra de Cesário para fazer um balanço do quanto a pátria (não) lhe deu, um pouco à imagem do que aconteceu com Cesário em vida.
Nestes trabalhos colectivos, é, interessante perceber como o ambiente de uma obra consegue influenciar linguagens artísticas tão distintas criando uma unidade que podendo não ser aparente, estamos certos de que o espectador encontrará, através do eco da voz destes dois escritores.







